Sustentabilidade Corporativa

Nos últimos 10 anos, gradativamente, a temática socioambiental deixa de ser encarada como obrigação legal ou responsabilidade social para fazer parte do planejamento estratégico de empresas e corporações. Executivos, gestores e acionistas incorporam a temática como prioridade em seus negócios, entendendo que a mesma não é apenas uma exigência da sociedade civil, mas representa um requisito para a sustentabilidade de suas organizações.

Essa transformação surge a partir de conceitos como o de ecodesenvolvimento e desenvolvimento sustentável, cunhados a partir das décadas de 60 e 70, quando a sociedade passou a refletir mais efetivamente sobre os limites ambientais do planeta Terra, as consequências do atual modelo de produção e consumo e as alternativas futuras.

A criação do Clube de Roma em 1968; a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano em Estocolmo em 1972; a criação da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento em 1983; o Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum em 1987; e as Conferências Rio 92 e Rio+20 são alguns dos principais acontecimentos onde foram construídos esses conceitos e que ajudaram a inserir a problemática socioambiental no cotidiano da população mundial.

A evolução do tema inseriu o termo sustentabilidade como parte do vocabulário empresarial, uma tendência que busca integrar aspectos econômicos, sociais e ambientais na política institucional de governos e organizações.

Cada vez mais líderes empresariais buscam a profissionalização e excelência das ações de sustentabilidade, incorporando conceitos e ferramentas como a tecnologia ZERI (Zero Emissions Research & Initiatives), P+L (Produção Mais Limpa), gestão socioambiental, gestão do conhecimento, 3Rs (reduzir, reutilizar, reciclar), entre outras, o que gradativamente gera um  diferencial competitivo, possibilidades de economia de recursos, bem como de inovação e criação de novos empreendimentos.

Um dos maiores estudos sobre sustentabilidade corporativa, publicado em 2010 em Nova York pela Nações Unidas (ONU) e Accenture Sustainability, no qual foram entrevistados 1000 executivos, líderes de empresas e da sociedade civil indica que 93% deles veem a sustentabilidade como fundamento para o sucesso de sua empresa.

O Pacto Global, outra iniciativa da ONU, que busca estimular empresas a desenvolverem práticas sustentáveis e divulgá-las, já tem mais de sete mil participantes, exemplificando o crescimento de ações sustentáveis nas empresas.

No entanto, o relatório da ONU apresenta dados que demonstram que apenas 28% das empresas participantes do projeto classificam suas ações de sustentabilidade como avançadas, que 60% dos participantes são pequenas e médias empresas, que 63% das companhias preocupam-se com a atuação socioambiental de seus fornecedores, mas tomam medidas limitadas para incentivar essa prática, e menos de 25% das empresas declaram conduzir análises sobre direitos humanos, questões trabalhistas e anticorrupção.

Este cenário revela que a temática socioambiental ganha reconhecimento e espaço na pauta de organizações e empresas, mas ainda existe um longo caminho a percorrer para garantir que práticas sustentáveis se tornem parte da gênese corporativa dos empreendimentos.

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